Warrior

August 6, 2010

Guerreiro.

Eu quero começar esse post dizendo que sinto vontade de dar um abraço bem apertado em todos vocês.

Entrei agora na reta final da minha jornada aqui e antes mesmo de comentar sobre isso, a pergunta que mais ouço é a mesma que me faz perder horas de sono, mesmo acordado. Volto para o Brasil?

É importante dizer que independente da minha escolha, o meu coração ficará dividido para sempre e que eu nunca mais serei o mesmo. Eu oscilo entre pensamentos, idéias e planos para meu futuro, o que fazer se eu voltar, como fazer para ficar e cada detalhe de uma vida inteira é arremessado aos meus olhos quando os fecho e essa constância mantém meu coração inquieto, e a viagem intelectual vai longe..

Existem muitas coisas à serem consideradas. Não preciso falar das óbvias, preciso? Na verdade eu tenho apenas duas escolhas, e aparentemente é muito simples decidir. Sim, concordo. O problema no entanto está nas consequencias, está na curva após o caminho que eu seguir. E novamente, toda a minha vida irá mudar muito.

Se eu for? Eu vou sentir saudades da América, das palmeiras e do céu mais bonito que existe. Saudade da neve, do ronco dos motores nas ruas, dessas freeway frias. Vou sentir falta do Ralph’s (Mercado equivalente ao Pão de Açúcar em São Paulo) e vou sentir falta da embalagem gigante de iogurte. Sabe, eu vou sentir falta da minha bicicleta, da minha rua e dos meus vizinhos.. Existe já uma vida aqui que eu criei nutri e agora amo muito. Eu não paro de pensar na possibilidade de não poder ter mais isso…

Se eu ficar? Bem, se eu ficar eu continuarei sem poder dizer bom dia para minha mãe, almoçar com meu pai de vez enquando, perder horas de noite conversando com a minha irmã, ser o irmão mais velho para minha irmãzinha. Continuarei sem o meu arroz com feijão, sem os meus amigos e sem esse amor que o Brasil tem para com o próximo. O calor das ruas, o sentimento de medo que todo paulista tem quando cogita abrir o vidro do carro, a alegria de assistir um jogo de futebol, passar em frente à escola em que fui a vida inteira, abraçar minha mãe, meu pai e minha família inteira. Eu continuarei me sentindo sozinho aqui, sem ter do lado quem me trouxe até aqui e isso é algo que também não paro de pensar em poder ter novamente.

Meu Deus! Eu peço só que me dê energia, orientação e sabedoria para lidar com tantas emoções de forma cirurgicamente precisa. Eu confesso que meu coração está na UTI e existe tanto a dizer para vocês ainda, eu acho que às vezes eu não vou aguentar e chorar por um dia inteiro… Mas vamos lá, força guerreiro.

Parte da minha família veio para cá me visitar.. Admito não ter esperado pela visita deles, mas assim que soube fiquei muito animado. Que gostoso poder dar um abraço na minha tia, na minha priminha.. Não nos víamos desde a catastrófica despedida do aeroporto de Guarulhos. E então chegaram aqui em uma quinta-feira. Fiquei animado, trabalhei correndo na esperança do dia acabar mais cedo. Isso só me deixou mais cansado e como eu precisaria trabalhar na sexta-feira, disse que iria na sexta somente, para ficar o final de semana inteiro com eles. Que gostoso poder mostrar o meu carro que demorou tanto a vir para a minha família. Passear de capota aberta em Los Angeles, que gostoso, que gostoso!

Nos encontramos no lobby do hotel que estavam hospedados. Lá estava minha tia e minha prima sentadas no sofá, olhando para a porta. Cheguei e minha tia logo abriu os braços e veio em minha direção para me abraçar. Esse abraço-família vale ouro, por que a gente não dá valor à essas tolices enquanto temos? Subindo no quarto lá estava meu tio dormindo (como sempre).. Hahah, família é família não é?

Passamos um final de semana bem gostoso em Los Angeles. Fomos para Beverly Hills, fomos no parque Universal Studios e rimos até não poder mais. Voltei no domingo para trabalhar no dia seguinte. Eles saiam de Los Angeles naquele momento também, mas em direção à San Francisco, pela Pacific Highway (estrada litorânea que liga o noroeste e o sudoeste). Só poderia vê-los na próxima sexta-feira, em Las Vegas. Ouvi minha tia dizer: “Fe, see you in Vegas”. Sim tia, I will see you there definitely!

A semana passou e eu não via a hora de encontrá-los de novo. Nesse final de semana íamos para o Grand Canyon, dessa vez no meu carro. Feliz da vida estava até chegar próximo de Las Vegas. Era quase meia noite e o calor estava me incinerando, em torno de 38ºC meia noite!!!! Deus que me livre… Encontrei minha tia de novo em frente ao hotel-casino que estavam, o abraço foi como se não nos víamos há anos.. Eu juro que eu vou abraçar minha família nessa mesma intensidade mesmo se eu vê-los todos os dias daqui para frente. Que saudades de vocês todos..

Bem, em Las Vegas eu nem preciso dizer que tenho história, e como tenho. Passeamos na Main Street de capota aberta. Devia estar uns 40ºC uma hora da manhã. A cidade um fervo, trânsito e multidões na calçada. E então esse é o verão de Las Vegas… Dia seguinte? Grand Canyon.. Eram três horas de carro para chegar no Skywalk, um dos pontos que é possível ver o canyon, e nem era dentro do Grand Canyon National Park!! Esse passeio foi muito especial. Lá vi o pôr do Sol do oeste. Onde o Sol brincou de dourar as intermináveis rochas e vales. Sem contar na diversão que foi tirar fotos naquela plataforma de vidro no meio do abismo. Sim, tenho fotos: Picasa Web Albums (< clique no link para ver as fotos no Picasa)

Domingo, última noite em Vegas, estava podre. Ia sair de lá por volta das 6 da tarde, afinal de contas são 4 horas de viagem. Cochilei e acordei quase 3h da manhã. Pulei da cama, falei para minha tia que eu tinha que ir, não poderia faltar no trabalho.. Ela insistiu para ficar, e poxa se eu pudesse eu ficava mesmo. Na porta do quarto, uma ligeira despedida, para não acordar o tio, que adivinha? Estava dormindo. Eu não quis pensar muito, só pensei em chegar logo no carro, ligar o ar condicionado no último e sair daquele microondas que estava o coração de Nevada. Não liguei essa despedida ao fato que talvez eu não os veria de novo por muito tempo. Mas é claro, assim que caminhei no corredor ouço minha tia dizer: “Fe!”. Eu olho para trás e ela estava em lágrimas. Desmontei também, fiquei mais meia hora me despedindo. A gente faz planos, diz que vai se ver logo. Acredita que ficará tudo bem e que estamos fazendo a escolha certa. De repente tudo isso não faz sentido e você já não sabe mais o que realmente vale a pena prezar na vida…

Fui embora, voltei para casa. É, para a minha casa aqui que chamo de lar, mesmo estando longe de ter as características do qual eu tinha aí no Brasil…

E daqui para frente, a surpresa foi inacreditavelmente desagradável. Por quê? Porque eu dirigia meu carro na sexta-feira em direção San Diego para ver minha prima Fabi que há tempos não via, quando de repente meu carro pega fogo no meio da estrada. Não bastando isso, instantes depois de eu encostar o carro e sair correndo para longe, ele explode.

Sim, inacreditável, eu disse. Sim também, eu estou bem graças à proteção de Deus eu não me machuquei, estou vivo e saudável. Mas peço perdão em não ir adiante com essa história. Não hoje, não agora..

Vamos lá guerreiro, siga em frente.

Today’s Song: Armin Van Buuren – In and Out of Love

Felipe Phill

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3 Responses to “Warrior”

  1. Patrick said

    Volta logo pra conseguir um excelente trabalho aqui em SP e logo ficar rico, aí voce vai todos os finais de ano ver as palmeiras e alugar o mais luxuoso Jaguar. O Que acha?

  2. Will said

    Ahhh Fe, vc esta escrevendo a sua historia , construindo a sua vida, é uma fase que vc pode ousar em suas decisoes entrar de cabeca nestes desafios que aparecem na sua frente.
    A saudade se intensifica , faz parte de tudo isso que vc esta vivendo,mas mantenha o foco, olha para vc antes de tudo isso e olha pra vc agora e depois reflita bem sera que vc esta realmente no final desta trajetoria ?
    A sua familia sempre estara la por vc e pra vc, mas esse é um momento unico na sua vida vivencie e aproveite ele até o ultimo segundo !
    Estou feliz por vc !
    😉

  3. Independentemente de onde você estiver, quero que sabia que estou super feliz por você e vou fazer o impossível para te ver o ano que vem – esteja onde você estiver!

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