Warrior II

August 21, 2010

Guerreiro, de novo.

No dia 30 de Julho, sexta-feira eu decidir ir visitar minha prima que estava em San Diego. Há tempos não a via, e seria gostoso dar uma volta pela cidade com a capota do carro aberta. Se eu pelo menos soubesse……

Na freeway I-15 South, em direção à San Diego, faltando cerca de 20 minutos para chegar, meu carro que rodava em perfeitas condições (temperatura, água, óleo, e etc..) simplesmente pega fogo.

Ao ver uma faísca saindo pela frente do carro e logo após muita fumaça, parei imediatamente no acostamento. Penso eu de início que poderia ser um saco plástico, ou um pedaço de papel que ficou grudado no carro. Parando eu tiraria, e não haveria prejuízo ao carro. Ingenuidade a minha…

Abrindo a porta verifico que há uma enorme labareda consumindo toda a parte de baixo do carro. Parecia algo no chão que estivesse pegando fogo no carro, então entrei novamente, e avancei um pouco na tentativa de passar este “algo” para que parasse de queimar o carro, antes que fosse tarde demais. Quando pisei no freio depois de uns 3 segundos tentando ir para frente, o carro não tinha mais freio. Abrindo a porta do carro de novo, chamas aceleravam em minha direção, mas consegui sair sem grandes dificuldades. Dei a volta por trás e tentei abrir a porta do passageiro, em busca de um extintor de incêndio, que aí no Brasil é obrigatório ter. Aqui na América? Não. Portanto não havia nada o que eu pudesse fazer para cessar o fogo. As chamas já estavam tomando conta do carro inteiro, e eu pude sentir a mão de Deus me afastando do carro. Saí correndo para a frente do carro, onde eu poderia achar algum telefone para ligar para a emergência (no dia eu estava sem o meu celular daqui, só o aparelho do Brasil, que não tem linha telefônica, só funciona como rádio-frequência, ou Nextel). Nisso um carro para no acostamento e a motorista diz que já havia ligado para o 911. Tudo isso em segundos………

Logo em seguida, escuto barulhos de explosão, vindo do carro. O MEU CARRO.

Um cogumelo gigante de fumaça preta, que era possível ver mesmo de noite. Meu carro que demorou tanto para vir, estava sendo consumido por uma enorme e inacreditável quantidade de fogo de forma estúpida e grotesca. Rápido demais para acreditar, lentamente o bastante para traumatizar para o resto da vida.

A explosão não é dessas que a gente vê em Hollywood, foram explosões pequenas, talvez os pneus estivessem estourando pela temperatura, ou os vidros estilhaçando com a pressão do inferno que estava o carro, mas não interessa. Eu entrei em choque. Nesse momento já havia outro carro que parou para prestar socorro, e as duas garotas desse carro tentavam me acalmar, dizendo que o importante é eu estar vivo, e longe do carro. Eu só conseguia dizer “é o meu carro, meu Deus! O que está acontecendo com meu carro?”.

Os bombeiros chegaram, fecharam a freeway inteira e apagaram o fogo por aproximadamente 10 minutos. O cheiro era muito forte. Não gosto nem de lembrar. Falando com os policiais que estavam lá, ainda estava desolado. Eles foram muito breves, perguntaram se havia alguém comigo no momento em que aconteceu e disseram que já haviam chamado o serviço de guincho. Ninguém perguntou se eu estava machucado, nem os policiais, nem os bombeiros. Aliás, os bombeiros depois de apagarem o fogo, foram embora sem nem sequer chegar perto do local que eu estava. Eu estava uns 15 ou 20 metros de distância do carro, por medidas de segurança, obviamente. Depois que apagaram o fogo, entraram no caminhão e foram embora.

Bom, a história não para por aí, mas eu já me sinto mal só de lembrar dos fatos de novo. Tive pesadelos por semanas depois disso, tive que voltar de San Diego de ônibus para casa e tudo o que eu tinha dentro do carro, foi perdido. O carro foi perdido. E isso é lamentável.

Novamente, eu sou muito grato a Deus por me poupar de um destino trágico, muito infeliz. Feliz estou eu de ainda estar vivo, com muita saúde e força para aguentar tudo isso o que vem acontecendo ultimamente.

Depois disso soube que minha prima daqui de San Diego foi vítima de fraude por causa de um cheque roubado, e um membro da minha família foi assassinado violentamente aí no Brasil, no interior de São Paulo.

Às vezes peço a Deus para me dar uma armadura mais resistente, porque parece que não vou conseguir. Mas tenho fé e vou perseverar.

Sem música por hoje. Depois de um minuto de silêncio, peço para que você escute seu coração e perceba o quanto Deus faz por você. E durma bem, porque de noites em claro, já bastam as minhas.

Felipe – Phill

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